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segunda-feira, abril 21, 2008

Orfeu ed Eurídice


O mito de Orfeu, do Amor que transcende a própria morte, é um dos mitos fundadores mais recorrentes na literatura de todos os povos, épocas e idades.
Orfeu é um simples mortal, um músico de excepção que, por amor de Euridice, desce aos infernos, enfrenta as Fúrias e todos os demónios para a resgatar de entre as sombras. Os deuses concedem-lhe tal façanha com uma condição, porém – enquanto durar
a sua ascensão ao mundo dos vivos não pode Orfeu olhar a sua amada nem corresponder às suas súplicas de afecto. Esta prova revela-se demasiado cruel, pois que Euridice não mais crê que Orfeu a ame e, assim, não pretende regressar.
Orfeu cede mas, ainda mal lhe toca e já ela se desvanece, de novo no reino subterrâneo. Não haverá então mais esperança para os dois enamorados?
Toda a acção é controlada, como num jogo, pelo demiurgo Cupido, de cuja poderosa magia e só dela vai depender o desfecho da ópera.


A proposta era de um espectáculo de ópera para toda a familia. Empurrada pela curiosidade de ver o trabalho de José Luis Peixoto nesta matéria (é dele o libreto), agendei uma ida ao Teatro da Trindade com a miuda, a prima mais nova e desafiei também os pais do seu tão amado "Peter Pan".
A Inês parecia pateta, ao encontrar o seu amiguinho fora da escola. Até tinhamos bilhetes para sitios diferentes, mas uma vez que não estava esgotado, acabámos por procurar lugar para acomodar todos ao pé uns dos outros.
O espectáculo não lhes agradou grande coisa. A Carlota perguntou várias vezes quando é que nos iamos embora. A Inês reclamava que a Wendy nunca mais aparecia e o Gonçalo farto da musica que não conhecia, começou ele a cantar o que lhe apeteceu...
Portaram-se tão mal...
Eu gostei, mas não achei que fosse adequado a um publico infantil. Tirando uma ou outra parte em que os actores se atiravam repetidamente e até à exaustão para um fosso, qual palhaço de circo. Ou nas despropositadas tentativas de contacto com o publico... aí os miudos riam-se. Mas não conseguiam estabelecer relação com a história, e não conseguiam comprender quem eram os personagens. Pareceu-me sim, um pequeno espectáculo de ópera em que era permitido levar crianças.